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domingo, 1 de maio de 2011

O feitiço do tempo

"O primeiro passo é o mais importante"

Comédia americana despretensiosa, de 1993. Nela, um repórter, interpretado por Bill Murray, acorda no mesmo dia em uma pequena cidade americana, no Dia da Marmota, o mais odiado por ele. E assim a cada dia, ele tira vantagens por saber o que acontece, se revolta, vai se desesperando por acordar todo dia no mesmo dia. Se mata, de todas as formas possíveis, mas nada acontece, acorda novamente no mesmo dia. Como se nada tivesse acontecido.

Acredito que vivemos este "feitiço do tempo" e somente nossas mudanças de atitudes em relação à vida e às pessoas que fará a nossa roda da vida girar novamente. E é exatamente isto que o personagem central faz. Em sua reforma íntima ele muda de um ser mal-humorado para um sujeito querido por todos, e até passa a ser visto com outros olhos pela mulher que ama.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O convite



"Não me importa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em
satisfazer seus anseios do seu coração.

Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,
pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,
se as traições da vida o enriqueceram
ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.
Quero saber se você consegue conviver com a dor,
a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.

Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria,
a minha ou a sua, de dançar com total abandono
e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,
sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas,
que nos lembremos das limitações da condição humana.

Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,
ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.

Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia,
ainda que ela não seja bonita,
e fazer dela a fonte da sua vida.

Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu,
e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago
e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!"

Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,
exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito
para alimentar seus filhos.

Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.

Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.

Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se
nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia."

(Oriah Mountain Dreamer, em O Convite)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A escassez da arte da gentileza

Mais de uma vez, no período em que residi no meu antigo prédio, as pessoas só pensavam nelas mesmas. Falo isto porquê? Hoje, a maioria dos prédios têm portão com alarme, o que serviria para impedir a entrada de pessoas "estranhas" ao prédio. Bom o barulho é chato, e é mais chato ainda, passarem e deixarem o portão aberto. Simplesmente as pessoas passam, não fecham o portão corretamente e o barulho fica a incomodar os outros, insistentemente. Se não pensam no conforto do outro, poderiam pensar na segurança do local em que residem. É um caso a pensar e protestar quando o portão fica aberto no domingo á tarde, às três horas da manhã... o que se fazer? Fechar a porta e abrir outra para o diálogo.

domingo, 19 de julho de 2009

Impermanências da Permanência

"Você me faz querer ser um homem melhor."
Citação do filme As Good As It Gets (Melhor Impossível - 1997)

domingo, 5 de julho de 2009

Sumiços - Martha Medeiros

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.

sábado, 4 de abril de 2009

Poemas - Sophia de Melo Breyner



"Sou o único homem a bordo do meu barco
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento como os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo desse sonho e nunca durmo".

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Impermanências da Permanência

Eu tenho umα αlmα muito prolixα e uso poucαs pαlαvrαs. Sou irritável e firo fαcilmente. Tαmbém sou muito cαlmα e perdôo logo. Não esqueço nuncα. Mαs há poucαs coisαs de que eu me lembre. Tenho váriαs cαrαs. Umα é quαse bonitα, outrα é quαse feiα. Sou um o quê ? Um quαse tudo. E não é que vivo em eternα mutαção, com novαs αdαptαções α meu renovαdo viver e nuncα chego αo fim de cαdα um dos modos de existir. Vivo de esboços não αcαbαdos e vαcilαntes. Mαs equilibro-me como posso, entre mim e eu. Sou infinitαmente mαior que eu mesmα, e não me αlcαnço !

sábado, 13 de setembro de 2008

Aforismos


"Não se pode separar uma vida da outra, assim como não se separa a brisa do vento..."
___As cinco pessoas que você encontra no Céu

terça-feira, 29 de julho de 2008

Protocolos Ficcionais - Umberto Eco


De qualquer modo, não deixamos de ler histórias de ficção porque nelas que procuramos uma fórmula para dar sentido a nossa existência. Afinal, ao longo de nossa vida buscamos uma história de nossas origens que nos diga por que nascemos por que vivemos. Às vezes procuramos uma história cósmica, a história do universo, ou nossa história pessoal. Às vezes, nossa história pessoal coincide com a história do universo.

Aconteceu comigo, conforme atesta a seguinte narrativa natural:

Há alguns meses fui convidado a visitar o Museu da Ciência de La Corunã, na Galícia. Ao final da visita, o curador anunciou que tinha uma surpresa para mim e me conduziu ao planetário. Um planetário sempre é um lugar sugestivo de estar num deserto sob um céu estrelado. Mas naquela noite algo especial me aguardava.

De repente, a sala ficou inteiramente às escuras, e ouvi um lindo acalanto de Manuel de Falla. Lentamente (embora um pouco mais depressa do que na realidade, já que a apresentação durou ao todo quinze minutos) o céu sobre a minha cabeça se pôs a rodar. Era o céu que aparecera sobre a minha cidade natal – Alessandria, na Itália – na noite de 5 para 6 de janeiro de 1932, quando nasci. Quase hiper-realisticamente vivenciei a primeira noite de minha vida.

Vivenciei-a pela primeira vez, pois não tinha visto essa primeira noite. Provavelmente, nem minha mãe a viu, exausta como estava depois de me dar à luz; mas talvez meu pai a tenha visto a sair para o terraço um pouco agitado com o fato maravilhoso (ao menos para ele) que testemunhara e ajudara a produzir.

O planetário usava o artifício mecânico que se pode encontrar em muitos lugares. Outras pessoas talvez tenham passado por uma experiência semelhante. Mas vocês hão de me perdoar que durante aqueles quinze minutos tive a impressão de ser o único homem desde do início dos tempos que havia tido o privilégio de encontrar com seu próprio começo. Eu estava tão feliz que tive a sensação – quase o desejo – de que podia, deveria morrer naquele exato momento e que qualquer outro momento seria inadequado. Teria morrido alegremente, pois vivera a mais bela história que li em toda a minha vida. Talvez eu tivera encontrado a história que todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas: uma história na qual a estrela e eu éramos protagonistas. Era ficção porque a história fora reinventada pelo curador, era História porque recontava o que aconteceu no cosmos num momento do passado; era real porque eu era real e não uma personagem de romance. Por um instante, fui leitor-modelo do Livro dos Livros.

Aquele foi um bosque da ficção que eu gostaria de nunca ter deixado.

Mas como a vida é cruel, para vocês e para mim, aqui estou.


Fonte: ECO, Humberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Tempo certo das coisas...

Tudo tem sua hora.
Por que não respeitamos isso? Por que desejamos conduzir as coisas da nossa forma e temos tanta ansiedade para que tudo se resolva logo?Quando encontramos alguém queremos logo conhecer a pessoa, desvendar os seus mistérios e descobrir se ela ou ele é confiável ou não. Mas de onde vem a confiança senão da ação do tempo que mostra quem são as pessoas e o valor das coisas?Temos que aceitar a ação do tempo. Aprender a esperar é uma arte e uma grande evolução espiritual para um mundo em que tudo tem prazo, de validade inclusive. Precisamos tanto assumir o controle das coisas que não permitimos que as coisas durem mais do que supostamente deveriam. Temos pressa de que tudo termine, e não entendemos por que esperar? Por que amadurecer? Nos esquecendo que frutas consumidas antes da hora se tornam rígidas e sem gosto. Verdadeiros venenos para o paladar e a saúde.O tempo, como dizem os Mestres, é um grande escultor e a paciência o seu cinzel. Mas o que fazer com a nossa personalidade tão desejosa de exercer o controle e cristalizar os fracassos e derrotas?Há muitos anos, aprendi que devemos trabalhar com metas. E essa verdade assumida temerosamente por mim doeu muito em meu interior porque na época não sabia o que fazer, não tinha metas, portanto, também não sabia ao certo o que desejar. Como fazer planos para o futuro se as coisas do meu presente não eram claras?Devo confessar que essa história de planejar já me perturbou muito. Várias vezes invejei quem tinha uma idéia concreta do que faria da vida, mas fui percebendo que muita gente não sabia prever o futuro e que não estava sozinha nesta situação de não saber como conduzir a minha história. Felizmente, o caminho espiritual se abriu e todo o meu investimento e estudo nessa área me trouxe compreensão e contentamento.Aprendi com os Mestres que temos que viver lindamente o momento presente fazendo o melhor. Sendo feliz, tratando bem as pessoas. E mesmo que estejamos atravessando adversidades, precisamos nos manter otimistas.Quando algumas pessoas me pedem conselhos dizendo que não sabem o que fazer, sempre sugiro que invistam no autoconhecimento, em cursos, em leituras, que tentem freqüentar grupos e aprender com as pessoas, justamente porque quanto mais expandimos nossa vibração e nosso contato com o outro, mais amadurecemos no nosso caminho e nas nossas escolhas. E, assim, as diretrizes do destino vão se tornando mais claras. Com o passar do tempo, agindo com essa abertura, as coisas vão acontecendo e nossas potencialidades virão para fora. Pode acreditar.Ontem, um amigo me contou uma história que ilustra de forma magnífica a questão da ação divina do tempo. Quando minha casa aqui em São Paulo ficou pronta, Adriano ficou responsável por cuidar da fonte e da manutenção do nosso jardim que nos ofereceu, há pouco tempo, lindas e suculentas mexericas de dois pés que já estavam plantados antes de mudarmos para lá. Pois bem, agora, essas mesmas árvores que ficaram cheias de frutos estão perdendo as folhas...E, assim, nosso lindo jardim diariamente tem que ser varrido e as folhas recolhidas, inclusive da fonte que fica coberta de um manto verde.Adriano, para agilizar seu trabalho, chocoalhou bem as árvores pensando assim:“Quem sabe, as folhas caem hoje e amanhã não terei que limpar?”Pois é, amigos, nada disso aconteceu. Nem uma folhinha caiu com aquele balanço artificial. Adriano, desconsolado em sua aventura como jardineiro, constatou, rindo de sua pretensão em agilizar as coisas, que tudo tem seu tempo. E no dia seguinte, para tristeza dele, o jardim novamente estava coberto de folhas e ele teve que se contentar com seu aprendizado e varrendo o chão sentiu na pele o ensinamento de que há uma sabedoria em tudo.Lembre-se que nem sequer uma folha cai da árvore se não for da vontade divina, o que será então de nossa vida? Será que não existe uma força maior cuidando de nós, controlando os caminhos insondáveis do nosso destino?
Maria Silvia Orlovas

sábado, 28 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Impermanências da Permanência

"Aquilo que os homens de fato querem não é o conhecimento, mas a certeza."
__Bertrand Russell (1872-1970), matemático e filósofo britânico

domingo, 11 de maio de 2008

Impermanências da Permanência

Tudo é válido na inconstante roda da vida.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Impermanências da Permanência

Onde se colocar quando sabemos que não estamos no aqui agora.
O presente transitório não é aproveitado plenamente, por causa da toda pragmaticidade que está impregnada, neste agora.
Onde se colocar quando precisamos estar no agora.
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