terça-feira, 29 de julho de 2008

Protocolos Ficcionais - Umberto Eco


De qualquer modo, não deixamos de ler histórias de ficção porque nelas que procuramos uma fórmula para dar sentido a nossa existência. Afinal, ao longo de nossa vida buscamos uma história de nossas origens que nos diga por que nascemos por que vivemos. Às vezes procuramos uma história cósmica, a história do universo, ou nossa história pessoal. Às vezes, nossa história pessoal coincide com a história do universo.

Aconteceu comigo, conforme atesta a seguinte narrativa natural:

Há alguns meses fui convidado a visitar o Museu da Ciência de La Corunã, na Galícia. Ao final da visita, o curador anunciou que tinha uma surpresa para mim e me conduziu ao planetário. Um planetário sempre é um lugar sugestivo de estar num deserto sob um céu estrelado. Mas naquela noite algo especial me aguardava.

De repente, a sala ficou inteiramente às escuras, e ouvi um lindo acalanto de Manuel de Falla. Lentamente (embora um pouco mais depressa do que na realidade, já que a apresentação durou ao todo quinze minutos) o céu sobre a minha cabeça se pôs a rodar. Era o céu que aparecera sobre a minha cidade natal – Alessandria, na Itália – na noite de 5 para 6 de janeiro de 1932, quando nasci. Quase hiper-realisticamente vivenciei a primeira noite de minha vida.

Vivenciei-a pela primeira vez, pois não tinha visto essa primeira noite. Provavelmente, nem minha mãe a viu, exausta como estava depois de me dar à luz; mas talvez meu pai a tenha visto a sair para o terraço um pouco agitado com o fato maravilhoso (ao menos para ele) que testemunhara e ajudara a produzir.

O planetário usava o artifício mecânico que se pode encontrar em muitos lugares. Outras pessoas talvez tenham passado por uma experiência semelhante. Mas vocês hão de me perdoar que durante aqueles quinze minutos tive a impressão de ser o único homem desde do início dos tempos que havia tido o privilégio de encontrar com seu próprio começo. Eu estava tão feliz que tive a sensação – quase o desejo – de que podia, deveria morrer naquele exato momento e que qualquer outro momento seria inadequado. Teria morrido alegremente, pois vivera a mais bela história que li em toda a minha vida. Talvez eu tivera encontrado a história que todos nós procuramos nas páginas dos livros e nas telas dos cinemas: uma história na qual a estrela e eu éramos protagonistas. Era ficção porque a história fora reinventada pelo curador, era História porque recontava o que aconteceu no cosmos num momento do passado; era real porque eu era real e não uma personagem de romance. Por um instante, fui leitor-modelo do Livro dos Livros.

Aquele foi um bosque da ficção que eu gostaria de nunca ter deixado.

Mas como a vida é cruel, para vocês e para mim, aqui estou.


Fonte: ECO, Humberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Biblioteca Secreta



Uma biblioteca secreta, escondida dentro da oficial. Assim é o Inferno, acervo oculto que resguarda livros tidos como imorais, malditos, proibidos. Na Biblioteca Nacional (BN), a maior do país, o Inferno era, há muito, esparramado. Mais limbo, até: feito de livros como que invisíveis, intencionalmente de fora dos registros, escondidos em prateleiras convencionais. Pois agora, finalmente, o Inferno está virando coleção. Por lá, já estão obras como O menino do Gouveia, considerado o primeiro conto homoerótico brasileiro. E uma edição de Minha luta, o livro proibido de Adolf Hitler. Se não tivessem sido incorporados ao acervo secreto, teriam queimado no fogo da censura. O Inferno os salvou. Mas só agora, pouco a pouco, têm conseguido deixar a clandestinidade. Até o dia 22 de agosto, parte do Inferno da BN pode ser visto pelo público, na mostra "Homoerotismo: prazer entre iguais". A exposição reúne cerca de 20 livros – uma primeira amostragem do que seria o Inferno restaurado.


Obras Raras e Homoerotismo
Exposição de livros da Divisão de Obras Raras de 07 de julho a 22 de agosto de 2008
das 10 às 16 horas - Exposição de conteúdo adulto


quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ilha Grande (RJ)


Um pedaço do paraíso...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

O Nascimento do prazer - Clarice Lispector

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido.
Pois o prazer não é de se brincar com ele.
Ele e nós.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Livro: A Cegueira e o Saber - Affonso Romano de Sant'Anna

Ler (ou reler) as "crônicas culturais" de Affonso , como ele mesmo as denomina, sem ter que esperar por elas em jornais ou revistas, é um renovado prazer propiciado por este livro. A reconhecida lucidez do poeta e professor de literatura serve de leme para quem se interessa por "entender a ´contemporaneidade´ e rever a tradição". Nas seis primeiras crônicas, que dão título ao livro, o autor seleciona lendas, mitos e textos literários sobre o "intrigante tópico da cegueira e do (não) saber", como o Ensaio sobre a cegueira, de Saramago, Em terra de cego, conto de H. G. Wells, A carta roubada, de Poe, A nova roupa do imperador, de Andersen, entre outros, para apresentar os vários aspectos do ver e do não-ver - a cegueira como uma praga temporária, a visão arrogante que não enxerga o óbvio, o pacto social em torno do não-ver, a sabedoria que ilumina a vida interior, o desafio de ver o mundo com novos olhos. O estilo agradável, lúcido e didático de Affonso Romano de Sant´Anna conduzirá o leitor a um prazeroso mergulho em suas crônicas, uma após outra, descobrindo os percalços de uma carreira de escritor às voltas com a folha em branco ou com as recusas dos editores à publicação. Como surge uma obra literária? Como fazer emergir a poesia? Como publicar e ter sucesso? Estas são algumas das muitas questões que o autor considera "perguntas simples, respostas complexas". Para auxiliá-lo nas respostas, apresenta aos leitores o trabalho do escritor italiano, Mario Baudino, com o livro

A grande recusa, que conta a história de rejeições, por parte das editoras, a grandes escritores, como Scott Fitzgerald, James Joyce, D. H. Lawrence, Hemingway e muitos outros. "E, entre tantos casos da literatura moderna, dois se tornaram célebres: as recusas de Em busca do tempo perdido, de Proust, e O Gattopardo, de Tomasi de Lampedusa." Esta descoberta certamente levará o leitor/escritor a "se espantar e até se sentir estimulado a continuar recebendo negativas sem tanto sofrimento". Há, ainda, dois aspectos do livro de Affonso Romano de Sant´Anna que merecem ser realçados. Primeiramente, por não se considerar um crítico literário, sua evidente intenção é despertar a sensibilidade e a lucidez dos leitores em relação aos autores que apresenta em suas crônicas, o que ele faz com indiscutível delicadeza, prenunciando o prazer dessas leituras. O outro aspecto é a sua indisfarçável paixão por viagens, que contagia o leitor com as vivas descrições dos locais que simplesmente visita ou para onde vai declamar seus poemas, como na crônica No Chile de Neruda. E, em algum momento, ensina que "a arte de viajar tem que envolver todos os sentidos. Por isso é que a sensualidade e o amor podem transformar a arte de viajar numa arte maior".


Link com alguns textos do livro:

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Seminário Latino-Americano Arquitetura e Documentação

O encontro é promovido pela Escola de Arquitetura da UFMG e será realizado entre 10 e 12 de setembro, na sede do Crea-MG. O objetivo do seminário é discutir a rica relação entre a arquitetura e a documentação, além da situação da pesquisa na área da História da Arquitetura e do Urbanismo na América Latina, que nos últimos anos tem passado por mudanças significativas, retomando a consulta a fontes primárias e refazendo versões tradicionais da historiografia dominante.

Outras informações: http://www.forumpatrimonio.com.br/2008/

terça-feira, 8 de julho de 2008

Exposição Bossa na OCA

A cinqüentona bossa nova toma um banho de luz para virar protagonista de uma espécie de parque temático no Ibirapuera a partir desta semana: são duas grandes exposições que vão ocupar a Oca e o Pavilhão da Bienal. Hoje, abre para o público Bossa na Oca, projeto hi-tech, que integra o evento Itaúbrasil. Na próxima segunda, a Rádio Eldorado comemora seu cinqüentenário com a mostra Bossa 50.

Com curadoria do artista multimídia Marcello Dantas e do videomaker Carlos Nader, Bossa na Oca - que vai ficar dois meses em cartaz e tem entrada franca às terças - é interativa e quase toda virtual. Utilizando alta tecnologia em todos os aspectos, a mostra reúne documentários inéditos, imagens históricas, projeções holográficas, iluminação e montagem modernas, dialogando com a estética da bossa nova e com a do espaço da Oca (tem até uma praia artificial). Tudo isso, claro, banhado o tempo todo por muita música prazerosa, que é, afinal, a matéria-prima de todo o projeto.


Os documentários em curta-metragem prometem abordagens inusitadas sobre o tema e serão exibidos em dez painéis de placas de vidro. Um desses filmes traz Tom e Vinicius contando como fizeram Orfeu da Conceição. Outro tem Nara Leão e João do Vale em imagens raras do show Opinião.


Além de imagens em movimento, há também fotos raras e 94 gravações dos clássicos da bossa nova, que o público pode ouvir em jukeboxes estilizados em forma de LP. São espécies de Ipods em que se escolhe o que ouvir com simples toques manuais nas telas, que trarão informações e imagens dos discos relacionados à gravação selecionada. Tanto nas estações interativas dos jukeboxes como no espaço das placas de vidro, o sistema de som é localizado, ou seja, só pode ser ouvido no ponto situado na linha das telas, não vaza para fora.


O evento promove até um encontro virtual entre ídolos como Tom Jobim, Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, entre outros, tendo Johnny Alf ao piano. Sua imagem projetada sobre o instrumento, este real, tem um efeito interessante. Esse encontro, para o qual foi montado um palco com pufes na platéia, é realizado por meio de uma técnica holográfica (a Eyeliner), que o grupo virtual Gorillaz utiliza em suas apresentações. Segundo Dantas, é a primeira vez que essa tecnologia será vista ao vivo no Brasil.


Confira os destaques da exposição:

Beco das Garrafas
O famoso templo da bossa foi remontado em um palco. Um piano (com um copo de uísque para Vinicius) e um banquinho dividem espaço com imagens holográficas de músicos como Ella Fitzgerald e Frank Sinatra. A cada 15 minutos, eles executam, juntos, "Garota de Ipanema", graças à tecnologia "eyeliner" (a mesma usada pelo grupo virtual Gorillaz).

Praia de Copacabana
A areia e o clássico calçadão preto-e-branco de pedras portuguesas (em formato semicirular) representam a praia de Copacabana (RJ). A montagem ocupa cerca de 800 m2 do subsolo da Oca. Uma iluminação feita nas paredes simula a passagem do dia para a noite.

Projeção do Mar
O teto da Oca recebe uma enorme projeção do mar, feita por um projetor de 42 mil lumens, que garante uma potente definição e alto brilho na imagem -um VJ costuma utilizar projetores de, no máximo, 4.000 lumens em apresentações. A imagem pode ser vista no último andar, em um sofá, enquanto uma vitrola executa canções da bossa nova.

Vinicius de Moraes
O curta-metragem inédito de Miguel Faria Jr., "Vinicius de Moraes", com dez minutos de duração, é exibido na parede semiconvexa do museu. Criado especialmente para a exposição, o filme conta com imagens que não entraram no longa "Vinicius", do mesmo diretor. O som sai de luminárias, dispostas ao lado de 30 poltronas.


Local: Pavilhão da OCA - Parque do Ibirapuera - SP
Preço(s):R$ 20,00.
Data(s):De 08 de julho até 07 de stembro de 2008.
Horário(s):Terça a domingo, das 10h às 21h.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Inverno


Globais?

A globalização que começou nas Grandes Navegações alcançou todos os países que fazem parte da esfera capitalista e administram as relações comerciais no mundo. Tentam administrar um capital exorbitante e invisível que pode acabar com a economia de um país em desenvolvimento, quando este, passa a ser visto pelo resto do mundo como um País de risco para investimentos. Somos lesados pela falta de um dinheiro que nem existe.

Vive-se da cultura do efêmero, onde até a moda é passageira, mas é na maioria das vezes resgatada, o modo de vestir é regatado, como se isto fosse um resgate do modo de viver das pessoas que viveram em outros tempos. Podemos afirmar, que a informação é sempre nova, se para cada um, ela traz um sentido diferente. A questão passa a ficar complicada por causa do grande volume informacional produzido atualmente. E pensar que um dia ele pode ser condensado em uma Enciclopédia, e hoje, é mudado a cada segundo e a nossa capacidade de absorção é a mesma e conseqüentemente o nosso tempo também para acompanhar estas mudanças.

Na sociedade de consumo em que vivemos, hoje, acredita-se que ser cidadão é poder consumir todos os produtos que são oferecidos. É usar o capital na compra de bens simbólico, um capital que ele vendeu a sua força de trabalho para conseguir, ganhando menos do que realmente vale e gerando lucros para o empregador. Realmente é irônico ser cidadão por este ponto de vista, pois se trabalha para se ter capital e é aplicado no capitalismo novamente. É acreditar também que se exerce somente a cidadania no dia em que se vota. É esquecer que cidadania é muito mais do que isto. É ter participação coletiva nos espaços públicos em que convivemos. É lembrar da música: "... a gente quer ter voz ativa e no nosso destino mandar
[1]".

Campanhas publicitárias já anunciaram que somos "cidadãos do mundo". É um modo de resgatar situações que só eram imaginadas na literatura. Mas é só não nos esquecermos que antes de estarmos inseridos no mundo, somos um cidadão local, inserido com a nossa cultura, o nosso modus vivendi, o nosso grupo de convívio, o nosso pertencimento. Onde assim espera-se que indivíduos exerçam a sua cidadania.

[1] Música Roda Viva-1967 de Chico Buarque

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Aforismos

"Mas não se esqueça:
Assim como não se deve misturar bebidas,
misturar pessoas também pode dar ressaca."
__Martha Medeiros

Seminário CPDOC - Quando o campo é o arquivo - 2008


A primeira edição do seminário (2004) teve como objetivo reunir trabalhos sobre a constituição e organização de arquivos de antropólogos, de instituições de antropologia e o uso desses documentos na análise e pesquisa antropológicas. Um dos resultados foi a publicação de um número temático da revista Estudos Históricos sobre "Antropologia e Arquivos", em 2005. Para 2008, a segunda edição do seminário propõe a entrada em outro campo: o audiovisual.


De que maneira a experiência etnográfica vem sendo transformada em documentos visuais? Quais são os efeitos dessas transformações na produção do conhecimento antropológico e nas vidas dos sujeitos que se tornam objetos de novos olhares? De que maneiras documentos visuais mantidos em acervos, coleções e arquivos têm sido utilizados, reapropriados e reproduzidos por populações tradicionais? Que poéticas, políticas e debates têm suscitado? Essas são algumas questões que o Seminário Quando o campo é o arquivo deste ano pretende levantar. O objetivo do evento é refletir sobre o uso de fontes arquivísticas na pesquisa antropológica e sua relação com a produção etnográfica.


Quando o campo é o arquivo - 2008
Datas: 2 e 3 de dezembro de 2008
Mais informações e inscrições:
http://www.cpdoc.fgv.br/campo-arquivo

Museu do Livro

A prefeitura de Lajeado, no Vale do Taquari (RS), inaugurou ontem o Museu do Livro, no pórtico de entrada do Parque Histórico Municipal.

O local funcionará como acervo histórico e disponibilizará cerca de 2 mil livros, entre eles obras datadas de 1832 e livros didáticos usados no início do século passado. Parte do material foi doado pela comunidade e por historiadores e outros são oriundos do acervo da Biblioteca Municipal.

- Pelo material encontrado no museu, as pessoas poderão realizar pesquisas - comenta a titular da Secretaria de Cultura e Turismo (Secultur), Adriana de Carvalho.
A cerimônia de inauguração ocorreu às 10h. Na ocasião, os historiadores Wolfgang Collishonn e José Alfredo Schieroldt foram nomeados padrinhos do museu.
- As obras são uma forma de analisar e resgatar antigos hábitos. Um livro que hoje não tenha muito significado pode ser de muito valor no futuro e, por isso, a importância de um local adequado e seguro para a sua preservação. Povo que preserva a história tem sensibilidade para a cultura - comenta Collishonn.


Fonte: Jornal Zero Hora

quarta-feira, 2 de julho de 2008

UFMG cede veículo do Projeto Carro-Biblioteca

O automóvel antigo será repassado para a Fundação Municipal de Cultura.

Escrever com o Google Earth

Já havia imaginado ver os edifícios do alto e visualizar letras do alfabeto?
Pois é, esta é a última novidade do Google Earth.

Confira o link: http://www.geogreeting.com/view.html?yknyBosUoCmBoFoBUmywUonspsmsyCaU

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Tempo certo das coisas...

Tudo tem sua hora.
Por que não respeitamos isso? Por que desejamos conduzir as coisas da nossa forma e temos tanta ansiedade para que tudo se resolva logo?Quando encontramos alguém queremos logo conhecer a pessoa, desvendar os seus mistérios e descobrir se ela ou ele é confiável ou não. Mas de onde vem a confiança senão da ação do tempo que mostra quem são as pessoas e o valor das coisas?Temos que aceitar a ação do tempo. Aprender a esperar é uma arte e uma grande evolução espiritual para um mundo em que tudo tem prazo, de validade inclusive. Precisamos tanto assumir o controle das coisas que não permitimos que as coisas durem mais do que supostamente deveriam. Temos pressa de que tudo termine, e não entendemos por que esperar? Por que amadurecer? Nos esquecendo que frutas consumidas antes da hora se tornam rígidas e sem gosto. Verdadeiros venenos para o paladar e a saúde.O tempo, como dizem os Mestres, é um grande escultor e a paciência o seu cinzel. Mas o que fazer com a nossa personalidade tão desejosa de exercer o controle e cristalizar os fracassos e derrotas?Há muitos anos, aprendi que devemos trabalhar com metas. E essa verdade assumida temerosamente por mim doeu muito em meu interior porque na época não sabia o que fazer, não tinha metas, portanto, também não sabia ao certo o que desejar. Como fazer planos para o futuro se as coisas do meu presente não eram claras?Devo confessar que essa história de planejar já me perturbou muito. Várias vezes invejei quem tinha uma idéia concreta do que faria da vida, mas fui percebendo que muita gente não sabia prever o futuro e que não estava sozinha nesta situação de não saber como conduzir a minha história. Felizmente, o caminho espiritual se abriu e todo o meu investimento e estudo nessa área me trouxe compreensão e contentamento.Aprendi com os Mestres que temos que viver lindamente o momento presente fazendo o melhor. Sendo feliz, tratando bem as pessoas. E mesmo que estejamos atravessando adversidades, precisamos nos manter otimistas.Quando algumas pessoas me pedem conselhos dizendo que não sabem o que fazer, sempre sugiro que invistam no autoconhecimento, em cursos, em leituras, que tentem freqüentar grupos e aprender com as pessoas, justamente porque quanto mais expandimos nossa vibração e nosso contato com o outro, mais amadurecemos no nosso caminho e nas nossas escolhas. E, assim, as diretrizes do destino vão se tornando mais claras. Com o passar do tempo, agindo com essa abertura, as coisas vão acontecendo e nossas potencialidades virão para fora. Pode acreditar.Ontem, um amigo me contou uma história que ilustra de forma magnífica a questão da ação divina do tempo. Quando minha casa aqui em São Paulo ficou pronta, Adriano ficou responsável por cuidar da fonte e da manutenção do nosso jardim que nos ofereceu, há pouco tempo, lindas e suculentas mexericas de dois pés que já estavam plantados antes de mudarmos para lá. Pois bem, agora, essas mesmas árvores que ficaram cheias de frutos estão perdendo as folhas...E, assim, nosso lindo jardim diariamente tem que ser varrido e as folhas recolhidas, inclusive da fonte que fica coberta de um manto verde.Adriano, para agilizar seu trabalho, chocoalhou bem as árvores pensando assim:“Quem sabe, as folhas caem hoje e amanhã não terei que limpar?”Pois é, amigos, nada disso aconteceu. Nem uma folhinha caiu com aquele balanço artificial. Adriano, desconsolado em sua aventura como jardineiro, constatou, rindo de sua pretensão em agilizar as coisas, que tudo tem seu tempo. E no dia seguinte, para tristeza dele, o jardim novamente estava coberto de folhas e ele teve que se contentar com seu aprendizado e varrendo o chão sentiu na pele o ensinamento de que há uma sabedoria em tudo.Lembre-se que nem sequer uma folha cai da árvore se não for da vontade divina, o que será então de nossa vida? Será que não existe uma força maior cuidando de nós, controlando os caminhos insondáveis do nosso destino?
Maria Silvia Orlovas

sábado, 28 de junho de 2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Centenário de Guimarães Rosa

"Só se pode viver perto de outro,
e conhecer outra pessoa,
sem perigo de ódio,
se a gente tem amor.
Qualquer amor já é um
pouquinho de saúde,
um descanso na loucura."
__João Guimarães Rosa
O grande Guimarães que tinha o sonho de virar imortal, mas saberia que quando isto acontecesse, ele colocaria realmente à prova a sua condição de mortal. Sabendo disso, ele adiou ao máximo a sua cerimônia na Academia Brasileira de Letras. Quem nunca leu O Grande Sertões Veredas, a Terceira Margem do Rio, Manuelzão e Miguilim não experimentou o jeito roseano de se expressar, em sua linguagem inventada.
O verso acima foi retirado do Museu da Língua Portuguesa, localizado na Estação da Luz, em Sampa. Sabe o momento que todos são convidados para entrar no reino das palavras? Pois, é..... lembrou? Dentre tantos outros versos maravilhosos e nós, maravilhados com a experiência única daquele momento, este estava lá, e ainda está lá.
Info: No dia em que se comemoram os 100 anos do nascimento de João Guimarães Rosa, o município mineiro de Cordisburgo, cidade natal do escritor, recebe visitantes de todo o Brasil com uma programação especial. Na sexta-feira, 27 de junho, o Museu Casa Guimarães Rosa – instituição vinculada à Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais -, em parceria com a Associação de Amigos do Museu e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, homenageia o escritor com diferentes eventos em vários pontos da cidade, durante todo o dia, sempre com entrada franca. A data marca o lançamento nacional do Selo comemorativo do Centenário pelos Correios."

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Aforismos

"Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente."
___Martha Medeiros

Google de bolso?



O Gphone, aparelho portátil desenvolvido nos moldes do iPhone e também desenvolvido pela Google, não será mais lançado no início do segundo semestre, como a empresa havia anunciado. A novidade deve chegar no mercado nos meados de dezembro, segundo o portal Times Online. O novo aparelho possui um sistema operacional batizado de Android e o Google espera aumentar sua receita com publicidade na internet, já que com o Gphone os usuários acessarão a rede via telefone.

Redação Adnews

Músico ignorado na rua

O cara desce na estação do metrô de NY vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal. Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares. 'A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

O vídeo da apresentação no metrô está no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw

terça-feira, 24 de junho de 2008

domingo, 22 de junho de 2008

O tal do Bookcrossing

Com o objetivo de transformar o mundo todo em uma grande biblioteca, surgiu o “okcrossing”: rede literária sem fronteiras que promove a leitura por meio de trocas de livros. Criado em 2001, nos Estados Unidos, o projeto foi baseado no Where’ s George? (em português, Onde está George?), movimento que rastreava, a partir do número de série, notas de dólares por meio da Internet. “Você podia descobrir o trajeto e a história daquela nota. Isso virou uma mania nos Estados Unidos e um americano quis fazer a mesma coisa com os livros”, conta a gestora de zonas Bookcrossing, Helena Castello Branco.Para isso, foi criado o site Bookcrossing. Por meio da página, os membros podem se comunicar e compartilhar livros sem o empecilho dos limites geográficos. A rede está presente em mais de 140 países, tem 680 mil membros e 5 milhões de livros cadastrados. No Brasil desde 2001, a comunidade hoje conta com cerca de 4.100 membros espalhados por todos os estados do país. A troca de livros é feita geralmente pela Internet, mas há também as chamadas zonas de bookcrossing.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Mundaneum, do bibliotecário, Paulo Otlet, visionário da Internet

Museu belga revela internet de papel do início do século 20 - O Mundaneum abriga um imenso catálogo criado por Paul Otlet, visionário da web e das redes sociais online

The New York Times

MONS, Bélgica - Em uma tarde de segunda-feira nublada, essa cidade medieval parece um local esquecido. Além da catedral gótica obrigatória, não há muito para ver aqui, exceto um pequeno museu de fachada de pedra chamado Mundaneum, escondido em uma rua estreita em um dos cantos da cidade. Parece uma casa apropriadamente antiga para o legado de um dos pioneiros perdidos da tecnologia: Paul Otlet.

Em 1934, Otlet fez planos para uma rede global de computadores (ou "telescópios elétricos", como ele os chamava) que possibilitaria que pessoas buscassem por milhões de documentos interligados, imagens, áudios e arquivos de vídeo. Ele descreveu como as pessoas usariam os dispositivos para mandar mensagens, compartilhar arquivos e até formar redes sociais online. Ele chamou a coisa toda de "reseau", que pode ser traduzido como rede ou web.

Historiadores normalmente traçam as origens da World Wide Web (w.w.w., ou internet) através de uma linhagem de inventores anglo-americanos como Vannevar Bush, Doug Engelbart and Ted Nelson. Entretanto, mais de meio século antes de Tim Berners-Lee lançar o primeiro navegador de internet em 1991, Otlet descreveu um mundo conectado onde "qualquer um em sua cadeira seria capaz de contemplar toda criação."

Embora a protoweb de Otlet se baseassem em uma junção de tecnologias analógicas, como cartões de indexação e máquinas de telegrafia, ela antecipou, de qualquer forma, a estrutura "hiperlinkada" da web de hoje.

"Essa foi uma versão Steampunk do hipertexto", disse Kevin Kelly, ex editor da Wired, que está escrevendo um livro sobre o futuro da tecnologia.

A versão de Otlet dependia da idéia de uma máquina que juntasse os documentos usando links simbólicos. Embora essa noção pareça óbvia hoje em dia, em 1934 ela marcou um grande avanço conceitual. "O hiperlink é uma das invenções menos valorizadas do século passado", disse Kelly. "Ela vai se juntar ao rádio, no panteão das grandes invenções."

Hoje em dia, Otlet e seu trabalho foram largamente esquecidos, até mesmo em sua terra nativa, a Bélgica. Embora Otlet tenha tido fama considerável durante sua vida, seu legado caiu vítima de uma série de acontecimentos históricos - entre os quais, a invasão nazista ao país, que destruiu boa parte do trabalho de sua vida.

Mas em anos recentes, um pequeno grupo de pesquisadores começou a recuperar a reputação de Otlet, republicando parte de seus escritos e angariando fundos para estabelecer o museu e arquivo em Mons.

Os curadores do museu Mundaneum, que celebra seu décimo aniversário na quinta-feira, 19, planejam publicar parte da coleção original na web moderna. Essa comemoração não vai ser só uma reivindicação póstuma por Otlet, mas também vai providenciar uma oportunidade de fazer uma reavaliação de seu lugar na história da web. Foi o Mundaneum apenas uma curiosidade histórica - um caminho tecnológico não seguido - ou sua visão pode fornecer esclarecimentos sobre a web como a conhecemos?

Em 1895, Otley conheceu um futuro ganhador do Nobel com quem tinha muito em comum: Henri La Fontaine, que se juntou a ele no plano de criar uma grande bibliografia de todo o conhecimento publicado no mundo.

Para 1895, tal projeto marcou um ato de arrogância intelectual colossal. Os dois homens começaram a coletar dados de todos os livros já publicados, juntamente com uma vasta coleção de revistas e artigos de jornal, fotografias, pôsteres e todo tipo de texto perecível - como panfletos - que as bibliotecas normalmente ignoram. Usando cartões de índice de 7 por 12 centímetros (o que havia de mais avançado na tecnologia de armazenamento), eles criaram um vasto banco de dados com mais de 12 milhões de entradas individuais.

Otlet e LaFontaine procuraram apoio para seu projeto com o governo belga, propondo a construção de uma "cidade do conhecimento", que aumentaria as chances do país se tornar sede da Liga das Nações. O governo forneceu espaço em um prédio público para o projeto, onde Otlet expandiu a operação. Ele contratou mais gente e estabeleceu um serviço de pesquisa pago que permitia que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, mandasse uma busca por correio ou telégrafo - algo como um mecanismo de busca atual. Pedidos chegaram de todo o mundo, mais de 1.500 por ano, sobre diversos tópicos, de bumerangues às finanças da Bulgária.

Com a evolução do Mundaneum, ele começou a sobrecarregar o espaço com o enorme volume de papel. Otlet começou a buscar por idéias de novas tecnologias para o manejamento da sobrecarga de informação. Em um certo ponto, ele sugeriu uma espécie de computador de papel, manipulado com rodas e raios que moveriam os documentos na superfície de uma mesa. Eventualmente, entretanto, Otlet chegou à resposta final, que envolvia descartar todo papel.

Como não existia algo como armazenamento de dados eletrônicos em 1920, Otlet tinha que inventar a resposta. Ele começou a escrever diversos documentos sobre a possibilidade do armazenamento eletrônico, culminando com o livro de 1934, Monde, no qual ele expôs sua visão de um "cérebro mecânico coletivo" que abrigasse toda a informação do mundo, acessível instantaneamente em uma rede global de informação.

Tragicamente, bem quando a visão de Otlet começou a se cristalizar, o Mundaneum entrou em uma fase difícil. Em 1934, o governo belga perdeu o interesse no projeto, após a oferta de o país para ser sede da Liga das Nações ser recusada. Otlet teve que mover o arquivo para um local menor e, após dificuldades financeiras, teve que fechá-lo ao público.

Um bom número de funcionários continuou trabalhando no projeto, mas o sonho terminou quando o nazistas marcharam pela Bélgica em 1939. Os alemães esvaziaram o local original do Mundaneum para dar espaço para uma exibição de arte do Terceiro Reich, destruindo milhares de caixas cheias de cartões. Otlet morreu em 1944, falido e esquecido.

Depois da morte de Otlet, o que sobreviveu do Mundaneum original ficou para existir na obscuridade em um velho prédio da Universidade Livre em Parc Leopold até 1968, quando um jovem estudante da graduação chamado W. Boyd Rayward começou a seguir a trilha de papel.Tendo lido parte do trabalho de Otlet, ele viajou ao escritório abandonado de Bruxelas, onde descobriu um quarto, como um mausoléu, cheio de livros e papéis com teias de aranha.

Rayward ajudou, desde então, no ressurgimento do interesse no trabalho de Otlet, um movimento que por fim angariou atenção suficiente para conseguir desenvolver o museu em Mons.

Hoje em dia, o novo Mundaneum revela interessantes relances de como a web poderia ter sido. Longas filas de gavestas de catálogos contêm milhões dos cartões de índice de Otlet, apontando o caminho para o grande arquivo que contém todos os artefatos. Uma equipe de biblioteconomistas conseguiu catalogar apenas 10% da coleção até agora.

O arquivo revela tanto as limitações como o potencial da visão original de Otlet. Ele imaginou uma equipe de profissionais que analisassem cada peça de informação que chegasse, uma filosofia que vai contra a idéia básica da web.

"Eu penso que Otlet teria se sentido perdido com a internet", disse seu biógrafo, Francoise Levie. Até com um pequeno exército de profissionais, o Mundaneum original jamais poderia acomodar o volume de informação produzida hoje na web.

Apesar dessas limitações, a versão do hipertexto de Otlet tinha algumas vantagens importantes com relação à web de hoje. Primeiro, ele viu um tipo mais inteligente de hiperlink. Enquanto links na web servem como um tipo de ligação muda entre dois documentos, Otlet vislumbrou links que carregavam significado anotando, por exemplo, se os documentos concordavam ou discordavam entre si.

Otlet também viu possibilidades de redes sociais, que deixassem os usuários "participarem, aplaudirem, criticarem."

Enquanto ele provavelmente fosse ficar confuso com o ambiente do Facebook ou do MySpace, Otlet viu alguns dos aspectos mais produtivos das redes sociais - a habilidade de trocar mensagens, participar em discussões e trabalhar coletivamente para recollher e organizar documentos.

Os curadores do Mundaneum de hoje esperam que o museu não termine da mesma maneira que seu precursor. Embora o projeto sempre atraia financiamento, ele batalha para atrair visitantes.

"O problema é que ninguém conhece a história do Mundaneum", disse sua arquivista, Stephanie Manfroid. "As pessoas não se interessam necessariamente por ver um arquivo. É como, você preferiria ver o último Star Wars ou ir a um catálogo gigante?"

Batalhando para ampliar seu apelo, o museu abriga regularmente exposições de pôsteres, fotografias e arte contemporânea. E enquanto apenas um pequeno número dos turistas cheguem ao pequeno museu em Mons, a cidade ainda pode encontrar seu lugar no mapa histórico da tecnologia. Ainda este ano, uma corporação pretende abrir um centro de dados na cidade: Google.
Fonte: NYTimes
Outras informações: http://www.mundaneum.be/
P.S.: Otlet era bibliotecário, Pioneiro da Gestão da Informação, foi o co-criador do Instituto Internacional de Bibliografia, que tinha o objetivo de organizar as diferentes fontes de investigação científica e fornecer informação para a recuperação em qualquer documento publicado mundialmente.
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